Pedrinho do Vasco - Foto: Dikran Sahagian/Vasco

Bomba no Vasco: venda bilionária da SAF corre risco de ficar para 2027

O processo de venda de 90% das ações da Vasco SAF para Marcos Lamacchia pode não ser concluído em 2026. Apesar do avanço das tratativas e da estruturação do acordo de investimentos, a quantidade de etapas jurídicas, regulatórias e internas aumenta o risco de o desfecho ficar apenas para o primeiro semestre de 2027.

A avaliação foi apresentada por André Sica, advogado do investidor, em entrevista repercutida pelo podcast ge Vasco. Segundo ele, o negócio ainda precisa atravessar o leilão judicial, a análise dos órgãos competentes e os procedimentos associativos do clube antes da mudança definitiva de controle.

Foto: divulgação

Por que a venda da SAF do Vasco pode ficar para 2027?

O principal problema é o tempo necessário para cumprir todas as etapas exigidas antes da conclusão da operação. Embora o calendário inicial apontasse para uma transição ainda em 2026, o processo depende de pareceres, aprovações e análises que podem estender o cronograma.

Entre os pontos pendentes estão os trâmites na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a aprovação do processo dentro da Recuperação Judicial, a análise da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol e os ritos internos do Vasco.

— Ele diz que acha que o processo só não vai se concluir esse ano. Para justificar que a operação não deve ser concluída nesse ano, tem toda essa questão de concluir a negociação e o processo de leilão, depois toda essa questão envolvendo a agência reguladora e, por fim, a assembleia e os conselhos do Vasco precisam aprovar — relatou o jornalista Raphael Zarko ao reproduzir a posição de André Sica.

O advogado também destacou que o documento firmado não é apenas um memorando de entendimento. Trata-se de um acordo de investimento com condicionantes que precisam ser cumpridas antes da entrada definitiva de Lamacchia no controle da SAF.

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O possível atraso muda os planos de reforços do Vasco?

Sem a conclusão da venda, o clube não pode contar imediatamente com todos os aportes previstos no acordo bilionário. Isso obriga a diretoria a manter cautela financeira e buscar soluções que empurrem parte dos compromissos para temporadas futuras.

Uma das estratégias avaliadas pelo Vasco é a contratação por empréstimo com obrigação de compra parcelada. Esse modelo permite reforçar o elenco agora e concentrar os pagamentos em anos posteriores, quando a nova estrutura de investimentos poderá estar em funcionamento.

A negociação por Nelson Deossa, do Real Betis, segue essa lógica. O clube tenta fechar a operação com pagamentos distribuídos ao longo das próximas temporadas, mas isso não significa que os recursos da Almirante Participações já estejam disponíveis.

Enquanto o novo investidor não assume, o Vasco precisa conviver com um déficit operacional elevado. As projeções apresentadas apontam receitas anuais próximas de R$ 500 milhões e despesas em torno de R$ 800 milhões, cenário que exige controle rígido do caixa.

São Januário antes de Vasco x Maricá — Foto: Matheus Lima/Vasco

O acordo com Marcos Lamacchia está ameaçado?

Não há indicação de desistência, mas a operação ainda depende de várias condições para ser concluída. Os representantes de Lamacchia tratam as pendências como solucionáveis e afirmam que o investidor pretende seguir todas as exigências relacionadas a possíveis conflitos de interesse.

— Vai seguir restritamente todo o cronograma contra conflito de interesses. Nem a agência reguladora nem a questão com a 777 são tratadas como preocupação para a negociação. Primeiro, a operação precisa ser concretizada; depois, será analisado se existe conflito — afirmou André Sica, segundo a reprodução feita no programa.

O acordo prevê compromissos que somam aproximadamente R$ 3,1 bilhões ao longo dos próximos anos. A conta inclui recursos para dívidas, cobertura do déficit de caixa, investimentos no futebol e melhorias nos centros de treinamento.

Desse total, cerca de R$ 1 bilhão seria destinado a dívidas, R$ 1,5 bilhão ao déficit operacional projetado, R$ 500 milhões ao futebol e R$ 150 milhões aos CTs profissional e da base. Os valores, porém, representam compromissos distribuídos ao longo do tempo, e não uma entrada imediata de dinheiro.

Outra pendência envolve a antiga estrutura societária ligada à 777 Partners e à A-CAP. Vasco e investidores ainda precisam encontrar uma solução jurídica e financeira para viabilizar a transferência das ações dentro do modelo aprovado.

Até lá, o processo seguirá como um dos assuntos mais importantes dos bastidores do futebol brasileiro. O negócio não foi cancelado, mas a possibilidade de atravessar 2026 adiciona incerteza ao planejamento financeiro e esportivo do clube.