O Vasco atravessa um momento de atenção nas finanças. Relatório do administrador judicial, anexado ao processo da Recuperação Judicial na última sexta-feira, aponta que a SAF e o clube encerraram o mês de junho com apenas R$ 9 milhões em caixa, além de destacar uma “forte pressão sobre o fluxo operacional”. O documento foi elaborado a partir das informações financeiras apresentadas pelo próprio Vasco e faz parte da prestação de contas determinada pela Justiça do Rio de Janeiro.

A situação ajuda a explicar a necessidade de o clube recorrer, no início de julho, a um financiamento DIP de R$ 40 milhões junto à empresa de Marcos Lamacchia, empresário que mantém negociações avançadas para adquirir a SAF vascaína. O relatório indica que boa parte desse recurso já foi utilizada para custear despesas do dia a dia, evidenciando a dependência de capital externo para manter as operações.
Por que o relatório acendeu o alerta nas finanças do Vasco?
Segundo o administrador judicial, houve uma deterioração significativa da situação financeira ao longo de junho. O Vasco iniciou o mês com aproximadamente R$ 20 milhões disponíveis em caixa, mas fechou o período com apenas R$ 9 milhões, valor utilizado já no começo de julho.
O documento destaca que o cenário é de restrição de liquidez e faz um alerta sobre a necessidade de recursos externos para manter o funcionamento da SAF.
“Reputa importante consignar, desde já, que os elementos apresentados evidenciam um cenário de relevante restrição de liquidez, com forte pressão sobre o fluxo de caixa operacional. Observa-se, ainda, que parcela expressiva dos recursos obtidos por meio do financiamento DIP já foi destinada ao custeio das despesas correntes, circunstância que demonstra a elevada dependência de capital externo para a manutenção das operações.”
A divulgação desses relatórios mensais passou a ser obrigatória após decisão da Justiça, que inicialmente determinou uma intervenção na SAF e, posteriormente, devolveu o comando da empresa ao presidente Pedrinho.
O que os números mostram sobre a situação financeira?
Mesmo com a entrada de aproximadamente R$ 120 milhões à vista pela venda de Rayan ao Bournemouth, o Vasco não conseguiu manter um saldo elevado em caixa ao longo do ano.
Os demonstrativos mostram a oscilação dos recursos disponíveis no início de cada mês:
- Fevereiro: R$ 28,230 milhões
- Março: R$ 7,460 milhões
- Abril: R$ 22,512 milhões
- Maio: R$ 7,938 milhões
- Junho: R$ 20,184 milhões
Já as receitas da SAF tiveram como principal destaque o mês de março, impulsionado justamente pela negociação do atacante Rayan:
- Fevereiro: R$ 28,287 milhões
- Março: R$ 151,364 milhões
- Abril: R$ 57,169 milhões
- Maio: R$ 58,492 milhões
De acordo com o relatório, as principais fontes de receita continuam sendo direitos econômicos de atletas, direitos de transmissão, patrocínios, bilheteria e programa de sócio-torcedor.
Como isso pode impactar o Vasco?
Embora o relatório não indique risco imediato para as atividades do clube, ele evidencia que o Vasco segue enfrentando dificuldades para equilibrar receitas e despesas operacionais. O documento também informa que não houve melhorias de infraestrutura no CT durante o período analisado e que as pendências com entidades esportivas nacionais e internacionais continuam sendo acompanhadas, parte delas dentro da Recuperação Judicial e parte por meio de acordos já firmados.

Além disso, o administrador judicial registrou que não houve saques em espécie na SAF. Segundo o relatório, a circulação de dinheiro vivo permanece restrita à venda de ingressos e às atividades esportivas e recreativas do clube social, seguindo os procedimentos determinados pela Justiça.
O próximo relatório financeiro será importante para mostrar se a entrada do financiamento DIP trouxe maior estabilidade ao fluxo de caixa ou se o Vasco continuará dependendo de novos aportes para manter suas operações.
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