O presidente do Vasco SAF/RJ, Pedro Paulo de Oliveira, o Pedrinho, foi formalmente denunciado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após o turbulento empate entre Cruzeiro e Vasco, por 3 a 3, no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 15 de março, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A.
A insatisfação do clube carioca com a arbitragem, comandada por Lucas Paulo Torezin, do Paraná, concentrou-se na não marcação de dois supostos pênaltis a favor do Vasco e no acréscimo de 11 minutos no segundo tempo — período em que o Cruzeiro marcou o gol que igualou o placar. Após o apito final, o tumulto extrapolou o campo e ganhou os corredores do estádio.

Na saída do campo, na zona mista de acesso aos vestiários da arbitragem, Pedrinho abordou o árbitro Torezin em tom exaltado e com o dedo em riste. O relato foi registrado na súmula do jogo e serviu de base, junto a vídeos anexados ao processo, para a abertura da denúncia no STJD.
“Você vai relatar na súmula tudo o que eu vou te falar. Você sempre prejudica o Vasco quando a gente joga fora de casa, foi assim ano passado com o Palmeiras, na casa deles. Lá você prejudicou a gente e hoje aqui de novo, com os pênaltis que você deixou de marcar e com esses acréscimos. Você é arrogante, prepotente e soberbo. Sua forma de apitar é arrogante. Sua soberba vai preceder a sua queda.”— Palavras de Pedrinho registradas na súmula do árbitro Lucas Paulo Torezin
A situação escalou quando policiais militares de Minas Gerais, que faziam a escolta da equipe de arbitragem, intervieram entre o presidente e o árbitro. Um dos agentes utilizou spray de pimenta em direção ao chão para dispersar o grupo, causando irritação nos olhos e tosse nos árbitros. Após o tumulto, a equipe de arbitragem foi encaminhada à delegacia da Polícia Civil dentro do estádio para prestar depoimento como testemunha, e um boletim de ocorrência foi registrado contra integrantes da delegação vascaína.
O presidente do Vasco apresentou sua versão dos fatos em contato com a imprensa, afirmando ter acompanhado o árbitro pelo túnel apenas fazendo críticas à condução da partida. Pedrinho disse estar “com os braços para trás” durante a abordagem e reforçou que pediu expressamente que todas as suas palavras fossem inseridas no documento oficial da partida. Segundo ele, a escalada do conflito foi provocada pela chegada repentina de um policial com escudo e o posterior uso do spray de pimenta. Na manhã seguinte, o Vasco encaminhou um ofício formal à CBF manifestando inconformismo com as decisões da arbitragem.
Este não é o primeiro episódio envolvendo Pedrinho e o STJD. Em novembro de 2024, em situação semelhante — quando o presidente abordou a arbitragem de forma exaltada, com dedo em riste, no intervalo de uma partida contra o Juventude — ele foi enquadrado no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva por desrespeito. À época, recebeu advertência após a pena de 15 dias de suspensão ser convertida pelo tribunal, em decisão considerada vitória pelo departamento jurídico do clube.
O processo referente ao episódio contra o Cruzeiro tem como base a súmula da arbitragem e os vídeos do ocorrido, que compõem o conjunto probatório da denúncia. O julgamento ainda não tem data definida pelo STJD.
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